Presidentes dos sindicatos patronais do comércio varejista de Adamantina, Lucélia, Osvaldo Cruz e Tupã e do Sindicato dos Empregados no Comércio de Tupã e Região durante discussão da Convenção Coletiva de Trabalho (Foto: Divulgação)

Representantes de patrões e empregados do comércio de bens e serviços dão início às negociações para o reajuste salarial. Considerada uma das principais categorias de trabalhadores do país, os comerciários têm data base em 1º. de setembro.

Só em Adamantina representam 27,7% da massa salarial do município. 28,92% dos empregos com carteira assinada estão no comércio e a cada quatro trabalhadores celetistas, um corresponde ao setor.

Em 2017, ano auge da crise econômica brasileira, o reajuste foi o índice da inflação (1,72%) e mais 2% de abono. O valor do abono, que variou entre R$ 200,00 e R$ 350,00 dependendo do cargo, não incorporou aos salários.

Para 2018 os desafios e responsabilidades para assinatura da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) são grandes. Muitos pontos da Lei Trabalhista, em vigor desde novembro de 2017, ainda geram dúvidas entre patrões e empregados, com inúmeras questões sendo discutidas no Judiciário.

Já a definição do índice também requerer cautela. Para o economista da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado de São Paulo, Fábio Pina, é necessário levar em consideração que a melhora apresentada em alguns setores do comércio tem como base a comparação com 2017, pior ano para a economia brasileira. “O desemprego no país ainda é alto e as pessoas estão cautelosas em relação ao consumo”.

Para agosto a projeção de inflação é algo em torno de 2,5%. “O ritmo de aceleração é lento diante do estrago feito na crise com a perda de mais de 8 milhões de pontos de trabalho, queda de mais de 8% no PIB e queda de mais de 20% no consumo em três anos”, ressaltou Pina.

Mesmo assim o cenário não é todo pessimista. Para o presidente do Sindicato Patronal do Comércio Varejista da Nova Alta Paulista, Sérgio Vanderlei, as projeções são relativamente positivas para o ano em termos macroeconômicos. Ele cita pontos como inflação em queda, juros básicos em seu menor patamar, crescimento do setor produtivo, ambiente favorável no setor externo, saldo comercial elevado, aumento do nível de investimento, recuperação gradativa do emprego e do consumo e consistência no processo de retomada. “Esta consistência é percebida aos poucos na volta da confiança do empresário em contratar e investir e nas pessoas em consumir”.

Pauta

Na quinta-feira (14), representantes das federações de patrões e empregados mantiveram encontro em São Paulo. Na pauta das reivindicações, os empregados pedem como reajuste a inflação mais 1,5% de aumento real, além de adequações em normais sociais.

Nas próximas semanas sindicatos tanto patronais e de empregados da região farão suas assembleias para colher de ambos os lados opiniões para as negociações.

“Com os desafios que tivemos no ano passado com a vigência das novas regras da Lei Trabalhista, conseguimos fazer uma das melhores Convenções Coletivas do Estado graças ao empenho, entendimento e bom relacionamento entre as partes”, acrescentou Sérgio Vanderlei. “Nossa preocupação como representantes da classe patronal é dar segurança jurídica às empresas, desburocratizá-las e desonerá-las, garantindo todos os direitos dos trabalhadores”.

O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Tupã e Região, Amaury Mortágua, destaca que está empenhado, como nas Campanhas Salariais dos anos anteriores, em manter o diálogo e conciliação de interesses. “O Sindicato celebrou convenção com adequações, que trouxeram segurança jurídica para o setor, que não se vê em outros setores. Não houve redução dos direitos e garantias dos trabalhadores, bem como, permite o investimento dos próprios empresários. Com unidade na luta, as nossas negociações continuarão fortes e vitoriosas”, disse.