Sérgio Barbosa

"A informação banaliza os acontecimentos. Dou um exemplo: a primeira vez que se viram na televisão imagens de uma criança negra cheia de fome e com moscas a rodeá-la foi um momento marcante, só que agora já ninguém lhes liga devido à vulgarização. Alguém no outro dia proibia a divulgação de imagens dessas crianças negras com moscas à volta porque a sua repetição era perigosa. As pessoas habituam-se. " (Umberto Eco)

"Eu vejo as notícias na televisão mas nos jornais leio principalmente a Opinião. Quanto aos enganos que se encontram na imprensa, percebo que resultam da obrigação de encher muitas páginas. Até porque reparo que mesmo os jornais muito importantes se enganam. " (Umberto Eco)

Sérgio Barbosa (*)

O início da História da TV no Brasil é 18 de setembro de 1950, neste dia foi “ao ar” a primeira emissora televisiva brasileira, também, pioneira na América Latina, a PRF-3, TV Tupi, Canal 3 de São Paulo.

Montada e executada pelo empresário Assis Chateaubriand, fundador dos “Diários Associados” e teve como primeiro diretor, Cassiano Gabus Mendes, sendo que a transmissão veiculada pelos estúdios da TV Tupi no Alto do Sumaré na capital paulista, irradiada pela antena localizada no topo do Edifício do Banco do Estado de S.Paulo, deixou os telespectadores surpresos mediante os 200 aparelhos disponíveis na capital.

Chateaubriand com esta proposta empresarial funda o primeiro oligopólio comunicacional brasileiro no contexto da iniciativa privada, neste momento, a TV segue o mesmo padrão das emissoras de rádio no aspecto da regulamentação, sustentada e mantida pela publicidade, vinculando a indústria de bens material e cultural e a indústria de bens tradicionais ao consumo, neste cenário, a proposta em curso é a política de desenvolvimento do presidente Juscelino Kubitschek.

A TV em sua proposta regional surge, ainda, na década de 50 com uma proposta no interior paulista, na cidade de Bauru, aportando desta forma como um marco pioneiro para o padrão televisivo em andamento, destacando como meio de comunicação num contexto de pioneirismo para o início da História da Televisão no Brasil.

Depois das comemorações do “Cinqüentenário da TV no Brasil”, ocorrido no ano de 2.000, faz-se necessário registrar novas etapas para uma contextualização histórico-midiático deste meio comunicacional, tendo em vista, as mudanças em áreas afins aos interesses deste veículo de mídia, destacando a legislação voltada para a regulamentação da TV no Brasil.

As empresas de rádio e televisão – em especial as emissoras de TV – estão redirecionando suas posturas editoriais, voltando-se para as regiões em que estão inseridas. A nova política de regionalização das programações tem atraído um público final ansioso por informações da sua comunidade, bairro, cidade e região que, enfim, quer se ver na telinha.

A redescoberta desse foco encurtou a distância entre emissor e receptor, que se confundem no “fazer TV”, e posiciona as emissoras de rádio e televisão no mesmo patamar que as originou, quando eram estritamente locais ou regionais. Assim, volta ao modelo do passado sinaliza perspectivas futuras.

No entanto, na atualidade, não há qualquer regulamentação oficial sobre a presença obrigatória de temas regionais nas programações das emissoras. Aquilo que tem sido alcançado até então se deve à iniciativa das empresas ou grupos comunicacionais em realinharem seus objetivos, voltados ao público regional.