Regressão à média, pedreiros, plutocratas e políticos

Artigo de Nivaldo Londrina Martins do Nascimento, jornalista profissional

“Os homens da corrupção são espirituais e caluniadores; sabem que há outras formas de matar que não seja pelo punhal e pela emboscada. Sabem também que se acredita em tudo o que é bem dito”. Nietzsche

Segundo especialistas em estatísticas, o fenômeno regressão à média, descoberto em 1886 pelo cientista Francis Galton, define que em todos os eventos em série, há sempre uma grande chance de um desempenho excepcional ser seguido, em virtude do acaso, de um desempenho mais corriqueiro.

A propósito, sobre esse tema a Wikipédia livre diz: “a regressão à média se dá quando uma variável extrema aparece na sua primeira medição, uma vez que ela tenderá a ser mais próxima da média em sua segunda medição e, paradoxalmente, se é extrema na sua segunda medição, ela tenderá a ser mais próxima da média em sua primeira medição“.

Feitas as explicações pertinentes, vejamos dois exemplos de como a regressão à média está presente no nosso cotidiano. Começando pelo episódio que envolveu o pedreiro Pedro, que se não era o profissional mais produtivo da construtora, também não era o pior, uma vez que em sua jornada de trabalho diária assentava em média 500 tijolos.

Pois bem, um belo dia Pedro foi desafiado por um colega de profissão que se achava o maior assentador de tijolos da obra. Resultado: no final do expediente, Pedro havia assentado 800 tijolos e derrotado o desafiante. Por conta disso, um encarregado da construtora, que não sabia da aposta, na esperança de manter o aumento na produção de Pedro, fez diversos elogios a ele.

No entanto, no dia seguinte, Pedro voltou a assentar em torno de 500 tijolos. O encarregado, ainda sem saber da aposta, pensou: “eu nunca deveria ter elogiado ele”. Acontece que não foram os elogios do encarregado que provocaram a queda na produção de Pedro, e sim o fato de que os 800 tijolos foram fruto do acaso, e como o acaso não costuma se repetir, é natural que a produção dele voltasse à média dos 500 tijolos.

Terminada a história de Pedro, agora vamos ao nosso segundo exemplo. Os plutocratas que usaram a falta de informação dos cidadãos comuns e a camisa verde-amarela da corrupta CBF nas manifestações contra Dilma Rousseff, tanto insistiram no golpe que acabaram tendo sucesso na equivocada empreitada. Com isso, logo estavam festejando as nefastas medidas tomadas pelo “novo governo” contra os direitos dos trabalhadores.

Entretanto, as principais promessas que os “guardiões” da ética e da moral fizeram nas manifestações acabaram não se concretizando. Passado quase um ano do golpe, além da crise econômica ter se agravado e a corrupção continuar na ordem do dia, a camarilha do ilegítimo governo Temer segue trabalhando firme em duas frentes: “estancamento da sangria da operação Lava Jato” e volta da CPMF. Coisas da regressão à média.

Enquanto isso, mesmo tendo se tornado vitima contumaz da condenável prática jurídica conhecida por Lawfare, a competente jararaca barbuda continua mais viva que nunca. Já o trio tucano formado por Santo, Mineirinho e Mordomo de filme de terror, segue derretendo nas pesquisas eleitorais que estão sendo realizadas pelo Brasil afora.