Provavelmente uma nova reforma se constitua no principal pilar capaz de oferecer sólida sustentação ao novo ordenamento político-partidário de que tanto carecemos.  Hoje, todos os presidenciáveis focalizam o tema e asseguram comprometimento com ele.

Ainda convivemos com 35 partidos; a maioria de aluguel, instrumentos de desbragada fisiologia. Quinhentos e treze deputados federais, 81 senadores, num sistema bicameral que nos custa anualmente mais de 30 bilhões de reais. Mantemos mais de 20.000 assessores, altas verbas para os parlamentares gastarem em combustível, passagens, escritórios políticos, alimentação, viagens, estadas em Brasília, no estado e mesmo no exterior, além de apartamento ou verba de três mil mensais para  a permanência de apenas três dias por semana : terça, quarta e quinta. Sem considerarmos o elevado gasto com as assembleias legislativas e muitas câmaras municipais.

Outra incongruência: o voto de Roraima, Sergipe, Alagoas, por exemplo, vale mais que 100 dos paulistas, cariocas e mineiros. Isto proíbe a justa proporcionalidade. E confere peso “especial” às bancadas do norte, nordeste e centro-oeste, além de, direta e indiretamente, propiciar criminoso fisiologismo, clientelismo contumaz, em prejuízo do ideológico, programático, propositivo.

Convictos estamos de que, o caro leitor-autor  também defende que  cortemos a navalha  gastos tão elevados e imorais. Uma profunda reforma que também passe pelo sistema eleitoral, faz-se urgentemente imprescindível, sob a pena de não promovermos nenhuma outra  substantiva e eficaz.   Outrossim,   que se discuta o voto facultativo, a não reeleição para  o Executivo, com mandato de cinco anos, e apenas uma para o Legislativo. Lista fechada ou aberta, parlamentarismo com distrital misto, puro ou presidencialismo? E o financiamento das campanhas?

Assim, parece-nos dever inadiável questionarmos os atuais candidatos a deputado federal e  senador acerca do que pensam e propõem  ao focalizar-se tema tão vital para  o novo ordenamento político e a democracia.

A reforma política a que aspiramos passa pela responsabilidade de se votar bem.  Em quem dignamente nos represente. Somos os maiores responsáveis pela construção do Brasil que queremos. A começar pelo voto, a representatividade e o sistema eleitoral.