Em tempos remotos, o homem percebeu que a divisão de terras seria um grande negócio. Evoluiu tanto na atividade, que logo criou o loteamento. Em seguida, para aumentar os lucros da atividade, criou o desmembramento das áreas vizinhas ao loteamento. No final do século passado, esse mesmo homem, que em alguns lugares é chamado erroneamente de empreendedor, conheceu a lenda do Minotauro e viu nela uma nova forma de aumentar os lucros da rendosa atividade. Assim, sob o pretexto de homenagear a mitologia grega, disseminou nas cidades a sua mais nova criação, o loteamento labirinto.

Como foi inspirado no habitat do Minotauro, o loteamento labirinto é mesmo um labirinto. Entrar ou sair dele, é tarefa que poucos conseguem concluir sem a ajuda de um GPS. No entanto, prejudicar o direito de ir e vir do cidadão é apenas um detalhe nesse tipo de empreendimento. Com a complacência da prefeitura e dos combativos vereadores, os mentores do loteamento labirinto estão transformando Adamantina numa terra de ninguém. Como prova disso, podemos citar o prático traçado de ruas deixado pelos nossos valorosos pioneiros que há muito tempo deixou de ser respeitado. Porém, os abusos não ficam nisso.

Algumas das antigas avenidas da cidade, que foram projetadas para dar maior fluidez ao trânsito estão sendo estreitadas, quando não bloqueadas. Em alguns loteamentos, existem suspeitas de que as áreas verdes não obedecem o tamanho determinado pela legislação. Em outros, as dúvidas recaem sobre as áreas institucionais, que podem ter sido criminosamente fracionadas. Se isso realmente aconteceu, é grande o risco de alguns dos novos bairros da cidade não poderem ser equipados com creches e unidades de saúde, que exigem lotes com áreas especificas.

Nos loteamentos labirinto mais antigos, melhorias como asfalto, galerias de captação de águas pluviais, guias e sarjetas, podem estar em desacordo com as normas técnicas existentes. Como a responsabilidade dos loteadores sobre tais melhorias é de cinco anos, passado esse prazo, a manutenção disso tudo passa a ser paga com o dinheiro do contribuinte. Ou seja, com o nosso dinheiro. Pior, como não existe uma fiscalização eficiente, em casos específicos, como nos reparos de asfalto de péssima qualidade, a conta pode chegar aos cofres públicos em menos de cinco anos.

Entretanto, como existe uma solução para quase tudo nessa vida, um conceituado intelectual, que não aguenta mais os excessos cometidos pelos especuladores imobiliários, pensou em algo que pode colocar um fim nesse assunto. Segundo esse nosso amigo, para essa questão ser resolvida o quanto antes, basta a Promotoria de Justiça da Defesa da Habitação requerer da Prefeitura de Adamantina, para uma análise minuciosa, além da documentação dos loteamentos e desmembramentos aprovados nos últimos anos, os mapas das áreas vizinhas a estes loteamentos e desmembramentos.

Por não saber se a interessante proposta do honrado cidadão será aceita pelas autoridades, encerro este texto com um convite aos adamantinenses. O Plano de Mobilidade Urbana de Adamantina que, entre outras coisas, também poderá colocar um fim nos loteamentos labirinto, teve sua primeira audiência pública no dia 26 de outubro. Em 4 de novembro, foi realizada a segunda. Na próxima quinta-feira,12 de novembro, às 20 horas, na biblioteca municipal, teremos a última chance para debater esse importante tema. Compareçam, porque o futuro de uma cidade só pode ser promissor quando é discutido pelos seus cidadãos.

Notas do autor: 1. Este texto é fruto de uma sugestão do professor Mauro Cardin. 2. O parcelamento de terras no Residencial Vista Verde é um dos melhores de Adamantina. Nele existe uma avenida com 20 metros de largura, uma área reservada para estacionamento no setor destinado ao comércio e uma área institucional com 2560,00 metros quadrados. 3. Dedico este trabalho aos amigos Alceu A. Maluf, Alfredo P. Martins, Celso Ramenzoni, Diniz P. Martins, Joaquim Malheiros, Paulo A. Purificação, Plínio R. Perroni, Reinaldo Turra Júnior, Rubens e Carolina Galdino, Sergio Barbosa e Zeca do Posto.