Bertolt Brecht, 1898-1956, o maior dramaturgo alemão, continua atual: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, de sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

Assaz triste: pesquisas indicam que 38% dos brasileiros ainda não têm interesse algum por estas eleições e que mais de 25% pretendem optar pelo branco ou anular o voto. E o pior: 13% não acredita mais na Democracia como o melhor viés para a transformação, o avanço. Como vereda rumo ao desenvolvimento sustentável, à justiça social, à construção de um advir alicerçado na coexistência solidária, na Justiça e na Paz. No Humanismo Integral, como nos ensina o ícone Jacques Maritain.

Imprescindível que destinemos, minimamente, o dobro do que, hoje, investimos em Educação e Saúde, isto é, 10% do PIB, em cada área.   Promovamos, também com ampla participação popular, justas reformas: a previdenciária, a fiscal, a  política e a  tributária. Rediscutir a trabalhista e a política para novos e devidos avanços, também, inadiável.  Cortemos significativamente os gastos públicos.  Zeremos a corrupção. Adeus ao fisiologismo político-partidário. É preciso erradicar a miséria, o analfabetismo.  Vital que geremos milhões de empregos, principal fonte de desenvolvimento. Inaceitável que 1% de brasileiros ganhem, no total, mais que outros 56%. Dado oficial do IPEA também revela que 30 milhões de irmãos nossos ainda vivem com até dois dólares/dia. Destes, mais de um terço, em condições sub-humanas, parafraseando O Bicho, belo e engajado poema de Manuel Bandeira.

O bom voto, cidadão, aponta para uma nova realidade. Decente, humana, maná de belos sonhos, utopias e realizações...! O fisiológico, o branco e o nulo, além da abstenção desnecessária, a meu ver, denotam desejo da manutenção do “status quo”, retrocesso institucional. E o mais grave, penso que meu caro leitor concorda comigo, atentado mortal à Democracia.

Votar bem é preciso!  Este, o maior gesto de amor por si mesmo, pelo povo e o Brasil. Façamos a hora, cantaria o poeta Geraldo Vandré. E a hora é agora!