Um novo caso confirmado de leishmaniose no Conjunto Mário Covas coloca a população em alerta, já que é o segundo registro, dentro de 30 dias, em uma distância de menos de 100 metros. O outro caso, que levou a morte de um senhor, de 63 anos, foi no Jardim das Acácias – bairro vizinho.

A chefe do Departamento de Controle de Vetores e Zoonoses, Francine de Brito Alves, informa que foram identificados 30 imóveis em situação de risco em um raio de 1,5 km, que oferecem condições de proliferação do mosquito palha e há, ainda, uma grande quantidade de cães nos bairros que permanecem nas ruas viabilizando a dispersão da doença.

“As áreas verdes e terrenos baldios desses locais estão repletos de lixos domésticos, entulhos e móveis velhos aumentando a possibilidade de dispersão do vetor, mosquito palha, bem como da dispersão de animais peçonhentos e insetos incômodos”, alerta.

A situação é preocupante, pois os dois bairros possuem histórico de casos da doença em humanos desde 2004, quando houve o primeiro diagnóstico de Leishmaniose Humana em Adamantina. Desde então, o Jardim das Acácias registrou cinco casos e, o Mário Covas, teve outros quatro registros da doença, entre eles em uma adolescente, de 17 anos, confirmado nesta semana pela Prefeitura.

“Ela completou o tratamento para o controle da doença, já teve alta da Santa Casa, encontra-se bem e agora está em casa, recebendo acompanhamento ambulatorial”, informou Francine.

Medidas

Após a confirmação do caso de leishmaniose que levou um senhor de 63 anos à óbito, no último mês, a Secretaria de Saúde, por meio dos Agentes Comunitários de Saúde, realizou uma busca ativa de sintomáticos em humanos e cães nos dois bairros.

Em conjunto com essa atividade, os Agentes de Saúde reforçaram as orientações sobre as medidas preventivas contra a doença e o manejo ambiental necessário para os devidos cuidados com os quintais e relativos aos cães, que servem como reservatório do protozoário, causador da doença.

Foi realizado ainda, segundo a Prefeitura, um levantamento das residências que se encontravam em situação de risco, para a proliferação do flebotomíneo Lutzomyialongipalpis, popularmente conhecido como mosquito palha.

“Uma campanha para diagnóstico da leishmaniose em conjunto com a vacinação antirrábica também foi feita e os cães das famílias de baixa renda que tiveram interesse em castrar seus animais, estão sendo cadastrados e encaminhados para a Clínica Veterinária da UniFAI [Centro Universitário de Adamantina] com data previamente agendada para a realização do procedimento”, disse Francine.

Outra medida tomada pela Administração Municipal é a visita em todas as residências destes bairros. Nos casos que há situação de risco para a proliferação do mosquito palha é feito notificação de limpeza, determinando prazos.

“Evite o acúmulo de lixo, fezes de animais e folhas no quintal, evitem que seus cães tenham acesso à rua, se possível tenha citronela no quintal e tela nas portas e janelas para evitar o acesso do mosquito palha ao interior das residências. Mantenha os cães sempre bem cuidados com água e alimentos disponíveis e mantenha o ambiente do seu animal sempre limpo, se possuir condições tenha a coleira antiparasitária”, orienta.

A chefe do Departamento de Controle de Vetores também orienta a denunciar o abandono de animais. “Vamos batalhar contra essa cultura. Ressalto ainda que o lixo jogado nas áreas verdes e terrenos baldios retornam para as nossas residências em forma de insetos, animais peçonhentos e mosquitos, causando transtornos, acidentes e transmitindo doenças graves. Leishmaniose não tem cura e pode matar”, finaliza Francine.