Frei Francisco faz balanço da situação encontrada nos 50 primeiros dias à frente da Santa Casa

Na quarta-feira (28), a Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus completou 50 dias à frente da administração da Santa Casa de Adamantina. E, durante entrevista à imprensa local, Frei Francisco Belotti – líder da ordem religiosa – fez balanço parcial do início da gestão e convocou a comunidade para estar próxima do hospital. “A população é responsável conosco pela solução do problema da Santa Casa”, pontuou.

Após correr risco de ser interditada judicialmente e até mesmo fechada, a administração da Santa Casa de Adamantina passou para mãos da Fraternidade por meio da assinatura de TAC (Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta), decorrente de ação civil pública movida pelo Ministério Público local em razão de irregularidades estruturais (físicas, organizacionais e de prestação de serviços) no hospital. “Só pegamos hospital falido. Não muda, esta é a situação de Adamantina e de outros hospitais. Graças a Deus conseguimos levantar todos, e conseguiremos levantar mais este”, disse Frei Francisco.

Reitor da UniFAI Paulo Sérgio, governador Alckmin, juíza Ruth Menegatti, Frei Francisco, prefeito Márcio Cardim e juiz Carlos Scarazzato durante encontro em Lins

Os problemas na Santa Casa foram evidenciados em 5 de agosto de 2.015, quando o Ministério Público instaurou inquérito civil a fim de apurar as regularidades na prestação de serviços hospitalares apontados pelo Conselho Regional de Medicina, Diretoria Regional de Saúde, Vigilância Sanitária e Conselho Regional de Enfermagem, o que poderia expor a risco os usuários dos serviços de saúde.

Segundo consta no documento disponibilizado pelo Poder Judiciário, o TAC considerou que “o transcurso de longo período de tempo não implicou saneamento dos fatores que representavam possível risco à saúde e vida dos usuários dos serviços hospitalares”.
Entre as primeiras ações à frente do hospital, Frei Francisco destacou o trabalho de avaliação da estrutura financeira, de pessoal e de atendimento da Santa Casa. Segundo ele, é necessário conhecer a forma de atuação de cada departamento para iniciar uma gestão visando o equilíbrio de toda a instituição. “Quando se fala em reestruturação não é apenas econômica, mas também das cabeças das pessoas que estão dentro do hospital”, afirmou. “Costumo dizer que onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. E, pelo que conhecemos até agora, aqui falta pão”.

Ainda durante o balanço parcial, já que a real condição financeira da Santa Casa ainda está sendo avaliada, Frei Francisco relatou duas ações que poderão trazer equilíbrio financeiro. “Hoje a Santa Casa não paga a sua conta no final do mês. Tem um prédio que precisa ser adequado e revitalizado, além de capacitar melhor os funcionários, para que possamos oferecer o atendimento que a população espera. Tudo aqui precisa melhorar. Será um trabalho de longo prazo, mas vamos conseguir levantar este hospital, que entendo ter um futuro brilhante. O primeiro passo foi a conquista dos R$ 130 mil/mês junto ao Ministério da Saúde. E agora aguardamos uma resposta positiva do Governo do Estado”, disse.

Na sexta-feira (23), o prefeito Márcio Cardim (DEM) assinou um importante convênio para a saúde de Adamantina – o programa RUE (Rede de Urgência e Emergência). Serão em torno de R$ 130 mil, por mês, que beneficiará toda população da região com a melhoria dos atendimentos éticos.

Já na segunda-feira (26), autoridades de Adamantina solicitaram recursos para Santa Casa local em encontro com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). O pedido foi feito durante a inauguração da nova UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa de Lins, que também é administrada pela Associação.

Ao assumir a gestão do hospital de Adamantina, Frei Francisco convocou as autoridades municipais para este encontro com Alckmin visando buscar recursos para a unidade de saúde.

O prefeito Márcio Cardim (DEM), o reitor da UniFAI (Centro Universitário de Adamantina) Paulo Sergio da Silva e os juízes Carlos Gustavo Urquiza Scarazzato, que também participou do balanço inicial da nova gestão, e Ruth Duarte Menegatti atenderam a solicitação e participaram do encontro em Lins.

Após o pedido, o governador do estado de São Paulo solicitou a sua assessoria estudo junto a DRS (Departamento Regional de Saúde) de Marília sobre esta possibilidade de ampliação da contribuição financeira à Adamantina.

“A crise não vai acabar, quem vai acabar com a crise somos nós. Temos que arrumar meios para que isso aconteça. Hoje, a Santa Casa não paga as suas contas do mês, só que duas ações, uma já concretizada e outra em projeto, vão trazer este equilíbrio nas finanças do hospital”, comentou Frei Francisco.

Autoridades de Adamantina com deputado Fausto Pinato (PP)
durante assinatura de convênio

O religioso enfatiza ainda que uma das vantagens da Associação ao assumir a gestão da Santa Casa é poder fazer comparação dos valores dos produtos, serviços e contratos entre os hospitais. “A instituição tem essa possibilidade, o que trará um equilíbrio. Temos que olhar item por item”.

Além de comentar sobre a condição econômica do hospital, Frei Francisco convocou a população a estar presente na nova gestão da Santa Casa. “Até o presente momento não temos reclamação nenhuma da recepção que a comunidade nos fez, ou tem feito. Agora, precisamos que esta recepção vai se transformando em ações reais para que a Santa Casa possa ter substituída suas dívidas, para que possa atender cada vez melhor as pessoas”, afirmou. “Quero reforçar e pedir o apoio de todos. Esta Casa é da comunidade, então a comunidade tem que estar perto”, completou o religioso.

Inicialmente com contrato em vigor com prazo de seis meses, iniciado em 8 de janeiro, Frei Francisco não destaca a possibilidade da Associação continuar à frente do hospital. “Temos todas as condições para permanecermos”, finalizou.