Prefeito, secretários municipais e vereadores durante reunião com entidades assistências de Adamantina (Foto: João Vinícius | Grupo IMPACTO)

A realização de uma festa estilo da ExpoVerde no mês de abril criou atrito entre a Prefeitura de Adamantina e as entidades sociais do município. Nesta quinta-feira (1º), representantes da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), do IAMA (Instituto de Assistência ao Menor) e da Instituição Solidária Carlos Pegoraro (Casa do Garoto) participaram de reunião com prefeito Márcio Cardim (DEM), convocada pelo vereador Eder Ruete (DEM), que busca uma solução para o caso. Estiveram presentes ainda os secretários municipais de Gabinete, Finanças e Administração, a primeira-dama Marisa Cardim e o vereador Acácio Rocha (DEM).

Inicialmente, a festa – que contaria com exposição agropecuária, rodeio e shows – seria realizada pela iniciativa privada no mês de abril. O evento chegou a ser divulgado pela cidade. Porém, durante reunião com o Executivo municipal, o organizador da festa foi informado que o evento não seria autorizado.

Segundo explicado pelo prefeito no encontro com as entidades, o evento não contava com a documentação necessária para ser aprovada pelo Município. “Não foi apresentado o plano de trabalho. Então, não cedemos. O organizador explicou como seria o evento, porém não colocou nada em papel”, pontuou Cardim.

Após saber que a festa não seria autorizada, ainda segundo a Prefeitura, o organizador procurou as entidades para realizar o evento em conjunto. O secretário de Finanças, João Lopes, repetiu diversas vezes durante a reunião que a atitude foi de “má fé”, pois queria sensibilização da Prefeitura para liberar a utilização do recinto poliesportivo.

Porém, a diretora da Casa do Garoto, Maria Neide Ribeiro dos Santos Mantovani, disse que as entidades participantes não foram enganadas, já que sabiam que o evento não tinha sido autorizado inicialmente. “Desde o ano passado eles buscam fazer uma festa em parceria com as entidades. Não é de hoje”, disse.

Segundo ela, as entidades concordaram em participar devido à situação financeira complicada neste início do ano, período em que os recursos municipais, estaduais e federais não são destinados por estarem em processo de liberação.

“Nenhum de vocês aqui presentes, nem o senhor prefeito, nem os secretários, nenhum vereador foram em minha instituição. Então estamos nos sentindo a deriva, não temos dinheiro. Nossa entrada nesta festa foi por conta disto”, afirmou, emocionada. “A responsabilidade pelas crianças não são das instituições. As crianças da cidade pertencem ao Município. Quem tem que correr atrás de tudo isso para nós, são vocês. Nós prestamos serviço, e bem prestado”, disse Neide.

A situação complicada é devido a não realização da ExpoVerde no ano passado, evento que as entidades utilizam para angariar recursos extras.

O recinto poliesportivo conta com barracas fixas para utilização do IAMA, Casa do Garoto, Apae e da Casa da Sopa. E, uma legislação específica, determina a cessão dos espaços para as entidades também quando realizado eventos particulares, como rodeio.

O representante do IAMA, Adevalter Longuini, destacou que o valor cobrado para a compra das bebidas inviabiliza a utilização dos espaços em festas como do rodeio, já que as mercadorias têm que ser adquiridas da organização.

Por isso, o prefeito afirmou que buscará sensibilizar a organização do Adamantina Rodeo Festival para diminuição dos valores. “Quando vocês terceirizaram a festa do peão, as entidades não foram chamadas para conversar. É inviável”, disse Neide.

E, já que o evento de abril não será realizado, a Prefeitura se comprometeu em buscar alternativa, como a participação na ExpoVerde, para auxílio das entidades assistenciais. “Nós temos despesas enormes. Estamos vendendo marmita para sustentar nossas crianças”, destacou Neide.