Atleta Julia Barbosa é líder do ranking brasileiro sub 16 no lançamento de disco

Adamantina está na expectativa para realizar duas das principais competições esportivas do estado de São Paulo no próximo ano. De 7 a 11 de fevereiro de 2.018 o Município sedia os Jogos Regionais do Idoso e, de 7 a 17 de julho, acontece o tão sonhado Jogos Regionais na ‘Cidade Joia’. Porém, o “sonho” expõe uma triste realidade – a falta de incentivo no esporte local, principalmente de atletas que lutam para representar a cidade.

Exemplo da falta de apoio é a atleta Julia Barbosa. Com apenas 13 anos, a jovem é líder do ranking brasileiro sub 16 no lançamento de disco, representando Adamantina em competições estaduais e até nacionais. Somente este ano, Julia ganhou sete eventos Federação Paulista, tornando-se campeã paulista em sua categoria, venceu os Jogos Escolares do Estado e os Jogos Escolares da Juventude em Curitiba (PR), o que garantiu vaga nos Jogos Sul Americanos Escolares, em Cochabamba, na Bolívia, de 2 a 10 de dezembro.

Mesmo com os resultados positivos, o pai e treinador, Carlos Barbosa, juntamente com a família, sofre para conquistar apoio para atleta disputar as competições. Em entrevista ao IMPACTO, ele fala das dificuldades e o desafio de mudar essa realidade. Confira:

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Muitos atletas de Adamantina, como a Júlia Barbosa, sofrem pela falta de incentivo do poder público e empresas. Porque acredita que exista ainda este ‘bloqueio’?

Carlos Barbosa – Existe uma lacuna gigantesca de pelo menos 20 anos no esporte de Adamantina, independentemente de qual seja o esporte, a cidade não está preparada para fazer com que crianças, pré-adolescentes, adolescentes, jovens, adultos de meia idade e idosos tenham interesses e aderências às atividades oferecidas no município.

Isto não significa que Adamantina está fora da normalidade, o caos se instalou endemicamente pelo Estado como um todo. Contudo, é de suma importância que tanto o poder público e as empresas assumam a responsabilidade de fomentar o esporte, e que seja de qualidade.

Para exemplificar o caos que estamos enfrentando, posso citar a paixão que a cidade tem pelo futebol e futsal, mas não consegue estruturar-se para que a nova geração de crianças e adolescentes tenha muito mais que eventos pontuais, que duram um ou dois dias. Há necessidade de se “reinventar a roda”, precisamos urgente de programas que atendam às necessidades exclusivas de nossa sociedade, daquilo que fez parte do passado, mas, que agora não passa de nostalgia daqueles que experenciaram uma vida de imersão esportiva, em que as crianças saiam da escola, iam para casa, faziam a tarefa e se dirigiam para os clubes e ginásios esportivos do município, voltando somente no início da noite para casa, e os pais estavam conscientes que seus filhos tinham esporte de qualidade.

Cabe aos gestores atuais do município considerar qual dos enfoques podem e desejam efetividade, já que apesar diversas “faces” do esporte, de acordo com a Constituição Federal, estas podem ser apoiadas em três dimensões, (1) Esporte-Participação ou Lazer, que é aquele praticado de maneira espontânea. Suas regras podem ser as oficiais ou adaptadas e estabelecidas pelos próprios participantes. Tem como princípios a participação, prazer e inclusão. (2) O Esporte Rendimento ou Desempenho, que respeita as regras e organização oficiais; sob o viés do princípio da superação, objetivam-se vitórias, conquistas e projeções financeiras e sociais. (3) Ou Esporte Educação, esse pode ser desenvolvido tanto na Educação Física Escolar, como em outras formas assistemáticas de educação. Independentemente do local, seus preceitos são referenciados nos princípios sócio-educativos da inclusão, participação, cooperação, co-responsabilidade e co-educação.

Creio que para este tema em questão, estamos falando sobre o problema que assola o município no esporte de rendimento, pois a maioria dos jovens de Adamantina só viu o baseball nos jornais, televisão e na internet, ainda que tenhamos um campo oficial da modalidade. O mesmo corresponde ao atletismo, que apesar de ter uma história recente de uma campeã mundial no Lançamento do Disco, Izabela Rodrigues da Silva, quando realizou o feito, já não morava em Adamantina há mais de cinco anos.

Atualmente, existe um projeto desenvolvido pela UniFAI denominado ProEduc e que tem como base o esporte/educação, logo não é para revelar atletas, mas é óbvio que acaba constituindo uma porta para tal. Mas para onde o ProEduc vai enviar um adolescente de 14 anos? Para São Paulo? Porque não darmos continuidade aqui em nossa gloriosa cidade?

Respondendo diretamente a pergunta: os atletas de Adamantina sofrem a falta de incentivo do primeiro, do segundo e também do terceiro setores porque não existe uma cultura do esporte, pelo esporte e para o esporte. Os setores não conversam e muito menos tem projetos consistentes, a curto, médio e longo prazo. Todos podem ser beneficiados com o esporte de rendimento, as crianças, claro, são os maiores favorecidos diretamente, entretanto os investimentos destes setores trarão visibilidade, respeito, credibilidade e ainda a certeza da vinculação em massa do sucesso destas instituições perante a sociedade.

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Quais as principais dificuldades que os atletas sem apoio sofrem?

Carlos Barbosa – Esta questão daria um livro, mas não um livro de ficção científica ou romance com final feliz, e sim de histórias reais, que denotam terror e guerra, pois não é fácil ver os sonhos de mais de 2 décadas tolhidos pelos descaso, pela má gestão, pelo despreparo de Gestores do Esporte anteriores e cabe aos novos administradores públicos (executivo e legislativo) mudar este cenário . Gostaria mesmo de ver um filme de ação, um documentário de fatos positivos e com início, meio e que não tivesse fim.

As dificuldades de nossos aspirantes a atletas vão desde a falta de vestimenta apropriada, inclusive com possibilidade de possuírem tênis de boa qualidade (na verdade, mal possuem chinelos para o dia a dia), alimentação diária que propicie no mínimo quatro refeições dignas, mas que ao longo do dias se tornam história de drama e catástrofe. Imagino estas crianças representando suas escolas de ensino regular, levando orgulho aos gestores, professores, amigos, familiares e a toda sociedade, e aqueles que se destacarem no cenário estadual e nacional, recebendo convites das instituições particulares de ensino, para representarem honrosamente o município, o Estado e o Brasil. Imagino os locais de treinamentos menos insalubres, com manutenção diária da limpeza, com banheiros que se possa usar para se fazer assepsia após os treinamentos ou para as necessidades fisiológicas. Gostaria que fosse permanente a utilização dos transportes para locomoção dos atletas dentro da cidade, e patrocínio total para as viagens aos eventos esportivos, afinal de contas, os atletas estão representando o município. Uma das mais impactantes ações, seria assistência médica permanente, com assistência multiprofissional da saúde, de modo que intervenções preventivas e de urgências, estivessem à disposição diuturnamente.

Para o município, não se trata de gastos, mas de investimentos com retornos imediatos, com correções e juros para muitas gerações futuras, a perder de vista.

Que tipo de incentivo/apoio que os atletas necessitam?

Carlos Barbosa – Antes de qualquer coisa, todos os Setores legalmente instituídos precisam entender o valor do Esporte na sociedade atual:

1° – O esporte, apoiado pela proposta de “Direito de Todos às práticas esportivas”, pode ser desenvolvido de maneira distinta em escolas, comunidades e espaços esportivos institucionalizados;

2° – O Esporte Educação, diante de Documentos dos Organismos Internacionais especializados, é visualizado como “fator de soerguimento da sociedade”;

3° – Os Ministérios responsáveis pelo Esporte, Educação, Cultura, Ciência e Saúde têm íntimas relações com questões ao Esporte Educação;

4° – Os programas esportivos devem ser estimulados e multiplicados pela possibilidade de “crescimento na vida escolar e de complementaridade de providências de nutrição”. Além disso, os beneficiados devem ter orientações, mesmo após o término da participação nos programas;

5° – Torna-se importante a distinção de aplicação entre Esporte Educacional e Esporte Escolar. O Esporte Escolar, por sua vez, referenciado nos Princípios do Desenvolvimento Esportivo e do Desenvolvimento do Espírito Esportivo, caracterizados pelo fair-play, diante do enfrentamento de desafios e qualidades morais, o que não deixa de contemplar alguma seleção de vocações esportivas, sem perder o sentido de formação para a cidadania;

6° – A legislação brasileira esportiva, estabelecida a partir da segunda metade do século XX, tem se apresentado com altos e baixos na sua eficácia, principalmente pela ausência de referencial teórico. Fica nítido que o Esporte precisa ser objetivado nos seus verdadeiros sentidos em políticas adequadamente formuladas.

Com tais posicionamentos, me parece redundante afirmar que o esporte é apenas pano de fundo para proporcionar que as crianças adquiram comportamentos que modifiquem sua realidade, oportunizando um espaço de intervenção que seja acessível, saudável, coletivo, seguro, acolhedor e harmonioso; que seja criativo, desafiador e transformador; não ocioso, de debate, inclusivo, necessário e transparente; aceitável, popular, respeitável e de qualidade; que permita novas experiências e o fortalecimento de velhas e novas relações; que seja de aprendizagem, de construção; que possua e respeite uma identidade cultural; que tenha ritmo próprio, seja auto-organizado e permita adaptações e formações de novas configurações.

Portanto, o incentivo/apoio vai muito além de aspectos materiais, as praças esportivas requerem profissionais animados, satisfeitos, seguros de suas ações, compromissados com seus beneficiários. O que vejo hoje em nossa gloriosa Adamantina é um verdadeiro faz de contas, com professores e treinadores desmotivados, desgastados com a falta de apoio, que não vêem um futuro promissor. Afinal de contas, qual ou quais foram os últimos expoentes no esporte e que figuram no cenário nacional que iniciaram suas atividades esportivas aqui na cidade? Os números não mentem, estamos a beira do abismo da descoberta de novos talentos esportivos. Precisamos bater na porta do Legislativo e questioná-los sobre onde se encontra a esperança. Nossas praças esportivas estão virando elefantes brancos e os beneficiários não sabem como questionar, pois quando nasceram, já era assim.

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Como mudar essa realidade e garantir apoio aos atletas?

Carlos Barbosa – Primeiramente, chamo a atenção novamente dos vereadores do município, para que leiam com muita atenção a Lei nº 3.443, de 10 de dezembro de 2.010, que institui o ‘Programa Bolsa Talento Esportivo’ e façam com que seja executada. Suas diretrizes são bem claras, e precisam ser colocadas em prática o mais breve possível.

No seu Artigo 1º o texto afirma: fica instituído o ‘Programa Bolsa Talento Esportivo’, no âmbito do Município destinado aos praticantes do desporto escolar e de rendimento em modalidades Olímpicas e Paraolímpicas, individuais.

No atletismo temos vários adolescentes e jovens que possuem requisitos para serem incluídos no Programa Bolsa Talento Esportivo, que conforme a lei 3.443 os tipifica como beneficiários em seu Artigo 2º ao pronunciar que garantirá apoio financeiro em valor equivalente ao indicado para cada categoria, na seguinte conformidade: I – Estudantil: atletas na faixa etária de 14 a 17 anos, matriculados em instituições de ensino públicas ou privadas com bolsa para carente, com resultados expressivos em competições escolares estaduais ou nacionais: R$ 415,00 (talvez já tenha sido corrigido o valor); II – Juniores: atletas na faixa etária de 17 a 21 anos, com resultados expressivos em nível estadual ou nacional: ½ (meio) salário mínimo nacional, mais bolsa escolar nas Faculdades Adamantinenses Integradas (hoje UniFAI); III – Nacional: atletas na faixa etária de 21 (vinte e um) anos em diante, com resultados expressivos em nível estadual ou nacional: ½ (meio) salário mínimo nacional mais bolsa escolar na UniFAI.

Na lei não existe números máximos de beneficiários, motivo pelo qual a gestão atual não deve ficar alheia à esta oportunidade, pois outras cidades de mesmo porte ou ainda, maiores estão no caminho contrário, que buscam agraciar atletas em suas equipes de formação e alto rendimento, com a mesma lei. Que por sinal, é de pensamento contemporâneo e enche de orgulho a todos nós. O que falta é pô-la em prática.

Uma Lei Municipal como a do Programa Bolsa Talento Esportivo, associada a outra que se poderia ser criada nos mesmos moldes da ‘Lei de Incentivo Fiscal ao Esporte” (Estadual e Federal), alavancaria de vez o esporte de rendimento em Adamantina, e por sua vez, introduziria a cultura do esporte no meio empresarial, fazendo-os perceber que estão contribuindo diretamente com a sociedade, sem que haja investimentos, além daquilo que já era devido nos impostos.

A realização dos Jogos Regionais pode contribuir com a mudança deste panorama?

Carlos Barbosa – Ao longo de 37 anos vivi intensamente os Jogos Regionais e Abertos do Interior, foram mais de 270 medalhas representando a cidade de Bauru, nunca fiquei um único ano sem subir no pódio desta competição que é intitulada carinhosamente como “Olimpíada Caipira”. Nunca imaginei que pudesse defender outra cidade, mas Adamantina mostrou que um novo ciclo, apesar de minha idade, tinha que começar, e em 2017 de fato isto ocorreu. Viajamos para o Mato Grosso do Sul, na cidade de Campo Grande, justamente no dia em que os Jogos Regionais tiveram seu início em Osvaldo Cruz. Tudo porque a Júlia Barbosa participou do Campeonato Sulmatogrossense em que bateu o recorde estadual e foi campeã no arremesso de peso e lançamento de disco na categoria sub 14 representando Adamantina. Como eu havia pedido para me escreverem na Prova de Arremesso de Peso representando Adamantina, e consegui chegar a tempo para participar da prova, mesmo aos 48 anos de idade, competindo com atletas entre 18 e 30 anos, conquistei a medalha de bronze. Neste momento, me senti jovem novamente, e realizado com o fato de ter contribuído com a cidade onde minha família vive desde 5 de janeiro de 2017.

Como atleta e treinador, vejo que os Jogos Regionais podem sim deixar um legado a Adamantina, contudo, não podemos pensar em construções de equipamentos esportivos, não temos tempo e dinheiro disponível para concluir a tempo novas praças esportivas. Com isso, nos resta a outra ação de legado, ainda que tenha um preço, que nem sempre é traduzido em investimentos financeiros de alto custo, mas que custa. Temos urgentemente que ‘arrebanhar’ e enaltecer aqueles que já estão morando em nossa cidade, e por motivos que não nos interessa agora, precisamos convidá-los a retornarem ainda este ano, às práticas esportivas.

É horrível quando vemos cidades que assumem a realização dos Jogos Regionais contratando equipes inteiras, com atletas que não moram e nunca vieram à cidade e tão pouco sabem da história do município, vindos para a competição, única e exclusivamente por dinheiro. Acho pertinente que os atletas da cidade recebam créditos financeiros por medalhas, está prática é comum, honesta e justa. Quanto aos valores combinados, cada município sabe quanto suor foi depositado no dia a dia, para vencer adversários de outras cidades, com potencial e estrutura muito superior à nossa.

Creio verdadeiramente que Adamantina é celeiro de atletas, aqui a terra é fértil, a cada esquina encontro crianças, adolescentes e jovens que poderiam se tornar expoentes da nação, mas para que isso aconteça, nós precisamos de continuidade. Defendo a tese que não é apenas a genética que determina um atleta, talvez o ambiente em que se vive, seja muito mais próspero para medalhas que o DNA. A Júlia é sem dúvida uma atleta talentosíssima, mas não teria tanto sucesso se não vivessem em ambiente rico de oportunidades esportivas, com treinamentos que a maioria de nós já teria desistido. Sim, porque se fosse fácil ser campeã, o Brasil estaria cheio.

Quais serão as próximas competições da Julia Barbosa?

Carlos Barbosa – A Júlia é apenas uma nas diversas possibilidades de oportunizarmos o esporte em todos os cantos de Adamantina. Por coincidência, ela nasceu numa família que respira esporte, independentemente que seja individual ou coletivo, com ou sem contato, com bola ou sem, lutas ou dança, terrestre ou aquático, ela e seu irmão Guilherme são incentivados a experimentá-los permanentemente. Contudo, ambos têm a consciência que nem todos podem aproveitar a vida com tamanha variedade, como eles.

Nestes últimos 2 anos, os dois já fizeram natação, pólo aquático, voleibol, basquetebol, handebol, futebol, futsal, muay thai e atletismo. Este último não tem como fugirem; temos uma forte amizade com a Colônia Japonesa aqui em Adamantina e passamos mais tempo na ACREA ao longo da semana, do que em nossa casa. Na pista de Atletismo é onde a família Barbosa se sente completa, é onde mostramos para o que viemos, e onde queremos chegar.

É importante que as pessoas saibam que há 15 anos sou docente da UniFAI, e que sempre moramos em Bauru, até que a Júlia e o Guilherme decidiram que gostariam de morar em Adamantina para terem a mesma infância que eu e minha esposa tivemos. Parece que eles acertaram na previsão, pois Adamantina tem as mesmas características de Bauru há 48 anos. Hoje eles podem ir para a escola de bicicleta, minha casa vive cheia de seus amigos, todos os dias eles participam do ProEduc Suricates e de atividades na Escola Cristã.

Para mim e minha esposa é de suma importância que sintam orgulho da ‘Cidade Jóia’, pois não viemos para cá, a fim de passarmos uma temporada e, sim, para fazer parte da história de nossa cidade. Não conseguimos mais nos imaginar longe daqui. É aqui que desejo ver meus filhos crescer e espero envelhecer com saúde.

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Como pode ser feito as doações?

Carlos Barbosa – Posso dizer que este ano foi muito intenso, e se não fossem os amigos Artur e Marta Miyamura, seus filhos Ricardo e Eduardo, certamente seria muito mais difícil fazer com que a Júlia participasse de todos os eventos. Eles são a nossa família agora. Temos um respeito e admiração pela forma com que eles encaram a vida e os valores morais e éticos que perpetuam em suas ações. Sei que eles têm o mesmo sentimento especial e de carinhoso por nós, e certamente por isso somos tão ligados.

Muitas outras pessoas vem mostrando a mesma empatia e amizade por nossa família, recentemente a Júlia foi agraciada com uma bolsa na Escola Cristã, tudo porque é impossível desassociar a Escola da Atleta e em todas as competições fazemos a questão de que seu nome esteja ligado a uma Instituição tão séria. A Júlia não é apenas boa atleta, ela tem consciência que está se tornando uma pessoa pública e precisa mostrar que o esporte não atrapalha os estudos, muito pelo contrário, as dificuldades do esporte contribui para administrar instabilidades na vida e tomar a melhor decisão. Acordar 6 horas da manhã e estudar virou uma rotina, já que a disciplina dos treinamentos vem mostrando para ela que, fazer a revisão de conteúdo é similar ao treinamento físico ou técnico diário. Isso é coisa dela, não incentivamos para que faça isso, mas o dia a dia de atleta está sendo transferido para as atividades de vida diária.

Recentemente também, o Zeca, proprietário do Posto Progresso se sentiu comovido com nosso empenho e nos agraciou com um tanque de gasolina, sem dúvida nos ajudou muito, já que a competição foi em Praia Grande e os gastos foram grandes, inclusive também doou o dinheiro para o pedágio. Quase não tem pedágio a caminho de São Paulo (risos). A prefeitura também contribuiu na mesma viagem, possibilitando que a estadia e a alimentação fossem custeadas.

Tudo é muito novo para nós, há 1 ano a Júlia era apenas uma menina com potencial, mas em abril de 2017 ela se tornou uma realidade no cenário nacional, em uma categoria acima da idade dela (Sub 16), e isso causou um certo pânico em todos, porque a previsão seria que desponta-se somente no ano que vem. Eu até acreditava que tinha uma pequena probabilidade de ficar entre as 3 melhores atletas do país, mas não que se tornaria a número 1 do ranking brasileiro Sub 16 com apenas 13 anos de idade.

Com estes resultados, existe a expectativa dela conquistar a bolsa atleta do governo estadual, já entregamos todos os documentos na Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo, a pedido dos gestores da entidade, mas estamos no aguardo.

Diante dos resultados da Júlia, na semana passada saiu a convocação para o Sulamericano e agora começa uma nova campanha. As passagens dela estão garantidas, contudo as minhas, que além de pai, sou treinador, parece difícil de ocorrer, pois alguns treinadores possuem mais de um atleta convocado, o que favorece sua nomeação como treinador oficial dos Jogos pela Confederação Brasileira de Desporte Escolar.

Para tentar a verba necessária, a Editora Fontoura, por intermédio de seus proprietários Ricardo e Paula Fontoura entraram em contato comigo e vão doar um lote de livros acadêmicos de Educação Física para que eu possa fazer uma ação entre amigos e alunos e consiga o valor para comprar as passagens. O problema é que quanto mais próximo do Sulamericano no dia 2 de dezembro, mais caras são as passagens.

Outra forma que conseguimos muito apoio, através de ajudas voluntárias espontâneas foi mediante a conta poupança que abrimos em nome da Júlia. Alguns amigos que solicitaram para que seus nomes não aparecessem e outros que nem ao menos disseram que iriam depositar, fizeram doações generosas que possibilitaram que a Júlia competisse no Campeonato Brasileiro de Clubes em Fortaleza e conquistasse a medalha de bronze, além de oportunizar que se mantivesse como a melhor atleta no lançamento de disco até o momento.

Apesar de todas as doações, todo o dinheiro foi gasto com as competições, além do que sai do meu trabalho de docente da UniFAI. Neste ano já foi investido mais de 12 mil reais em competições. Não entendemos que se trata de gastos, por termos um propósito que vai além das buscas por pódios e recordes. O objetivo final de tanta estrada, chuva, frio, poeira, sol, calor é dar condições para que os resultados da Júlia continuem aumentando e em 2019 possa conseguir a tão sonhada Bolsa em uma Escola nos EUA.

Aos poucos percebemos que a ajuda acaba vindo mesmo daqueles que convivem ou sabem que o dinheiro é exclusivamente para usar nas competições, mas caso os empresários estejam dispostos a alinhar seu nome a uma atleta de bom nome na mídia e desejam realizar “contrato de cessão de imagem”, estamos prontos para tais negociações. Recentemente, o Gerente Operacional da Proeste Chevrolet Leandro Tadeu percebeu esta possibilidade e disponibilizou recursos financeiros da concessionária para divulgação em todas as mídias locais, regionais e nacionais, em que a Júlia apareceu com o Boné bordado com a logomarca Chevrolet usando no pescoço as medalhas e segurando os troféus conquistados ao longo do ano. Acreditamos numa via de mão dupla, em que não se trata apenas de uma troca de favores, mas em que todas as partes envolvidas são beneficiadas com excelente e positiva imagem, diante do resultado final.

Temos absoluta certeza que empresas bem intencionadas vão adorar associar seu nome a uma atleta campeã, excelente aluna no ensino regular, maravilhosa filha e irmã, disposta a ajudar os amigos e preocupada com o modo certo e direto de agir. Desta forma, deixamos aqui, a conta poupança e o número do telefone para contato, caso tenham interesse de concretizar o “Contrato de Cessão de Imagem” empresarial ou para beneméritos que desejam fazer doações espontâneas sem contra proposta.

Aos amigos e empresários que desejarem participar deste movimento de solidariedade e paixão pelo esporte, pode entrar em contato pelos telefones (18) 3521-7712 (residencial) – WhatsApp (14) 99148-2033 (papai) e (14) 99152-4976 (mamãe).

Para viabilizar a participação da atleta, como já foi dito, criamos uma conta poupança para doações, que deverão ser usadas exclusivamente para custear as 3 competições até o final do ano, sendo a antepenúltima a Etapa do Campeonato Paulista Sub 14 em Sertãozinho no dia 28 de outubro, a penúltima competição a Final Paulista Sub 14 no dia 11 de novembro em Bauru, e a última e mais importante da vida da atleta, que é o Campeonato Sulamericano Escolar em Cochabamba na Bolívia, de 02 a 10 de dezembro de 2017. Portanto, quem quiser voluntariamente participar, pode contribuir, fazendo depósito diretamente em:

Conta Poupança da Caixa Econômica Federal

Júlia Barbosa – CPF 480.711.068/36

Agência: 0276 // Operação: 013 // Conta: 15491-5

Para saber mais sobre a atleta Júlia Barbosa é só curtir e seguir a Fanpage do Facebook.

O que espera para o futuro?

Carlos Barbosa – Gostaria muito que a sociedade e os Poderes Legislativo e Executivo pudessem conversar a respeito do momento esportivo que vivemos no passado, sem sentimentos partidários sobre qual esporte é melhor, porque isso não existe, esporte não forma cidadãos, que faz isso é o professor, a família, os amigos e as ações públicas assertivas e de qualidade. Gostaria também, que considerassem o momento delicado atual, que nossas gerações de crianças, adolescentes e jovens estão experimentando (ou não), e que conseguíssemos chegar a um acordo, embasado e garantido por lei, sobre o que queremos para o amanhã. Nossos pequenos merecem mais atenção, não tenho dúvida!