Falta de fibras pode causar diverticulose

Atualmente, cerca de 60% da população com mais de 60 anos desenvolvem este problema

Especialista em doenças do estômago e intestino, Lidiana Dosso

Divertículos no cólon são extremamente comuns na população adulta.  Atualmente, cerca de 60% da população com mais de 60 anos desenvolvem este problema. A especialista em doenças do estômago e intestino, Lidiana Dosso, explica que o aumento da incidência de divertículos no cólon se correlaciona com a redução na ingestão de fibras.

Divertículos cólicos incidem mais em grupos populacionais que se mudam para países do Ocidente ou que incorporam hábitos dietéticos ocidentais, por exemplo, menor ingestão de fibras e maior consumo de gorduras e carnes vermelhas.

A simples presença de divertículos no cólon, sem sintomas, se denomina diverticulose. Dentre os indivíduos com este problema, aproximadamente 70% a 80% permanecerão assintomáticos. Os restantes 20% a 30% poderão desenvolver um amplo espectro de manifestações clínicas, a chamada doença diverticular dos cólons ou cólica (DDC), que vão desde sintomas gastrointestinais vagos e inespecíficos até quadros graves inflamatórios (diverticulite) e de enterorragia (sangramento diverticular).

“Nesse grupo de sintomáticos, a maioria (cerca de 80% a 85%), em algum momento, vai apresentar um quadro não complicado de DDC, caracterizado por dor abdominal, geralmente localizada no quadrante inferior esquerdo (diferentemente da síndrome do intestino irritável, em que a dor abdominal costuma ser mais difusa), eventualmente hipogastro, dor esta que tende a piorar após ingestão de alimentos e alivia com a eliminação de gases e/ou fezes”, explica à especialista.

Os pacientes podem ainda ter náuseas, cólicas abdominais, alterações no hábito intestinal (constipação ou diarréia), estufamento abdominal (meteorismo) e flatulência. “Alguns casos, nesse grupo não complicado de DDC, poderão desenvolver diverticulite não complicada (ou diverticulite leve, que representa cerca de 70% a 80% dos casos), que se caracteriza por dor no quadrante inferior esquerdo (mais precisamente na fossa ilíaca esquerda), febre não muito elevada, leucocitose e sintomas urinários eventualmente, exemplo a disúria, que é a dificuldade para urinar”.

Já em 15% a 20% dos pacientes com diverticulite, complicações mais sérias podem ser identificadas, tais como fleimão (ou flegmão), abscessos, fístulas, perfuração livre, estenose, obstrução, peritonite purulenta e peritonite fecal. “Hemorragia intestinal, sob forma de hematoquesia ou sangramento maciço (enterorragia), pode ocorrer em 5% a 10% dos indivíduos com diverticulose”, alerta Lidiana.

O diagnóstico da diverticulose pode ser realizado pelo enema opaco, tomografia computadorizada e colonoscopia, sendo esta última mais útil para o diagnóstico de diverticulite, e em alguns casos, como os de enterorragia a colonoscopia, pode ser terapêutica. “O tratamento deve se basear em uma dieta mais rica em fibras e livre de sementes. Já nos casos de doença diverticular sintomática e diverticulite mais complicada devemos introduzir mesalassina e quando necessário, antibiótico”, finaliza.

Os divertículos se formam devido

– Aumento da motilidade cólica (segmentação) que leva ao aumento da pressão intraluminal do colón, assim como a baixa ingestão de fibras também aumenta a pressão intraluminal.

– Alterações na parede intestinal, principalmente das fibras colágenas e elastina.

– Hipersensibilidade visceral.

– Inflamação (colite segmentar, colite diverticular), que é a inflamação aguda ou crônica da vizinhança do divertículo.

– Microbiota intestinal, a alteração da microbiota contribui para o aparecimento de divertículos.

Serviço

A especialista em doenças do estômago e intestino, além de endoscopista e colonoscopista, Lidiana Dosso, atende na Clínica Dosso, que fica na avenida Rio Branco, 23. Mais informações no (18) 3521-1376 ou 99605-6330.