Psicóloga Shirley C. Martins de Oliveira orienta pais e jovens sobre período de vestibulares (Foto: Arquivo Pessoal)

Alimentar-se bem e praticar atividades físicas são recomendações para que o vestibulando ou participante do Enem consiga aguentar, com saúde, a maratona de estudos. Mas, e o lado mental, como fica?

O vestibular e o Enem por si só geram uma pressão enorme ao adolescente devido ao volume de conteúdos e à alta competitividade.

Além disso, o jovem lida com pressão dos pais e da sociedade e demais conflitos nesse momento decisivo da escolha da carreira. Por isso o IMPACTO traz dicas importantes para enfrentar esta etapa da vida, aos pais e aos adolescentes.

As orientações são da Shirley C. Martins de Oliveira. “O processo da escolha profissional está totalmente atrelado às sucessivas escolhas que se dão ao longo da vida. Na educação e na formação desse indivíduo, os pais devem estar atentos no sentido de contribuir para que o filho faça escolhas conscientes, desde a escolha de uma roupa, de um sapato, entre outras, de maneira que ele possa exercitar, desde cedo, a sua liberdade de escolha por meio do auto conhecimento”, orienta.

IMPACTO: Quais os principais cuidados que os adolescentes devem ter nesta época de vestibulares que afetam o psicológico?

Shirley: Para o adolescente a época de vestibulares é um período de grandes desafios que lhe são colocados num processo de escolha que deve ser muito importante em sua vida, considerando que a própria adolescência já é uma fase bastante conturbada na vida do indivíduo em que podem ocorrer instabilidades emocionais constantes, nível excessivo de ansiedade, insegurança, além de muitas incertezas. Então é fundamental ter alguns cuidados para que tudo isso não contribua para elevar o nível de estresse no período pré-vestibular.

Estar bem preparado, intelectualmente falando, é de grande importância, pois isso possibilitaria, sem dúvida, um melhor desempenho nas provas, no entanto, tudo faz parte de um processo, de maneira que essa preparação deve se dar ao longo do tempo e que se recomenda que ocorra muito antes do que as pessoas pensam, ou seja, não apenas no último ano do ensino médio.

Como manter a estabilidade emocional neste período?

Sem dúvida, a partir de uma melhor preparação, pois se o vestibulando estiver bem preparado sentir-se-á mais confiante e estará apto a vivenciar essa experiência com muito mais tranquilidade, mantendo-se focado, concentrado, atento, com grandes possibilidades de avançar as etapas com sucesso.

Com deve ser o processo de escolha do curso?

Recomendo em primeiro lugar que o adolescente recorra a Orientação Profissional ou Vocacional com um psicólogo, pois isso lhe dará maiores garantias de uma escolha profissional consciente. Pela minha experiência profissional constato que os adolescentes que passam pela Orientação Profissional acertam mais na escolha da profissão e sentem-se mais felizes, ao passo que os demais, as vezes começam um curso e o interrompem, porque constataram que não era o que esperavam, o que torna o processo mais oneroso e longo. Muitas vezes eles se submetem a testes pela internet, sem nenhuma fundamentação científica e acabam errando. Nessa hora, a orientação e o acompanhamento de um profissional habilitado é fundamental.

Qual deve ser o papel dos pais? Como seve ser a interferência/contribuição nesse período?

O jovem, quando chega na Orientação, traz, geralmente, uma certa influência dos pais, que não é necessariamente negativa, pois quando os pais se preocupam, procuram dialogar com os filhos sobre sua escolha profissional, de uma maneira aberta, podem contribuir de forma positiva nesse processo, encorajando e apoiando na sua escolha. Esse deve ser o papel dos pais, nunca tentando induzir a seguir um caminho que não esteja de encontro com a real vocação de seus filhos. Para alguns pais isso se torna uma tarefa difícil e que pode até gerar conflitos, comprometendo o processo de escolha. Por isso, é importante que os pais não se esqueçam de que eles não estão sozinho, podem buscar ajuda de um psicólogo.