Nestes dias que antecedem a campanha eleitoral, um enigma tem tirado o sono dos marqueteiros da cidade: o fraco desempenho de Adamantina dentro do contexto econômico regional. Pior, pesquisas sobre o assunto apontam que a maioria da população acredita que tal fato se deve a falta de articulação política das autoridades locais.

Preocupado com a situação, procurei alguns economistas e fiquei sabendo que, além da falta de articulação política, alguma outra coisa que não conseguem identificar pode estar contribuindo para que essa estagnação ocorra. Diante da misteriosa constatação, só me restou ir a campo tentar achar a resposta sobre o que poderia ser essa outra coisa.

Felizmente, não tive que procurar muito para obter as informações que precisava. Numa conversa com um conhecido assessor legislativo boliviano, que nas horas vagas vende na feira milagrosas pomadas de peixe elétrico, foi levantada a hipótese de que a inércia econômica da província poderia estar ligada a algum fato inusitado, com grande chance de ser praga de padre. Explico.

Para os especialistas em religião, e Bolívia é um deles, entre os vários tipos de pragas que existem, as mais poderosas são aquelas proferidas pelos clérigos. A maldição feita por um padre é extremamente forte, e muito difícil de ser quebrada. Todavia, estes mesmos especialistas costumam afirmar que as pragas dos padres funcionam como um castigo, e só têm poder quando quem as recebe está errado perante as leis divinas.

Feitas as explicações técnicas, restava ao boliviano explicar o motivo que poderia ter levado um padre a tomar medida tão extrema contra a nossa comunidade. Mas antes que Bolívia fizesse a revelação, um médico (que me deve um litro de Red Label) e um popular despachante policial que ouviam a nossa conversa, entraram no assunto e apontaram três lamentáveis episódios envolvendo padres e membros da comunidade católica da cidade.

Conforme a dupla, o primeiro episódio se deu quando alguns fiéis que não concordavam com as atitudes de um padre espanhol resolveram pedir a cabeça do religioso na Diocese de Marília, e terminou num acidente de carro em Pompéia. Já o segundo episódio é ainda mais emblemático, pois se trata da retirada do busto de um padre que foi prefeito em duas cidades e que estava exposto numa praça pública de Adamantina.

Quanto ao terceiro entrevero envolvendo padres e cristãos na província, acredito que este dispensa comentários, pois aconteceu recentemente e ficou conhecido em todo o Brasil. Resumo da ópera: motivos para que estes clérigos lançassem pragas na cidade existiram de sobra. Se o fizeram não sei, entretanto o bom senso recomenda que essa suspeita não seja descartada.

De qualquer forma, pelo sim ou pelo não, gostaria de dizer aos marqueteiros que só existe um jeito de contornar a situação aqui esplanada: colocar no Plano de Governo dos candidatos a proposta de apoiar a realização de sete novenas ao ano para Nossa Senhora Desatadora de Nós, pois este é o único meio de quebrar praga de padre. Também espero que essa importante dica não seja desprezada após a eleição, uma vez que a cidade precisa ser recolocada no caminho do crescimento.