Diretoria da Santa Casa e do Movimento ‘Eu Amo Lucélia’ apresenta melhorias no hospital (Foto: João Vinícius | Grupo IMPACTO)

Há um ano, integrantes do Movimento ‘Eu Amo Lucélia’ assumiam a administração da Santa Casa de Lucélia, que se encontrava em uma situação crítica devido a anos de abandono, conforme colocado pela nova gestão. Pagamentos de fornecedores e salários de funcionários e médicos atrasados eram alguns dos problemas enfrentados pelo hospital naquela época.

Passado 12 meses, um novo panorama. Com pagamentos em dia e investimentos constantes na melhoria da infraestrutura do local, a Santa Casa passa por transformação com a ajuda e apoio da comunidade luceliense.

Na segunda-feira (6), a diretoria do hospital e do Movimento recebeu o IMPACTO para apresentar os trabalhos desenvolvidos na Santa Casa, que atualmente realiza atendimentos apenas de baixa complexidade.

Em 2015, devido a problemas financeiros e estruturais, os procedimentos de média e alta complexidade foram repassados para Santa Casa de Adamantina.

Desde então, funciona no local apenas o Pronto Socorro, fisioterapia e enfermaria. A diminuição dos atendimentos foi apenas mais uma das múltiplas sequelas deixadas pela intervenção municipal que perdura por longos 21 anos.

“A forma de trabalho até então desenvolvida não apresentou resultado eficaz. Não havia uma gestão autônoma e 100% dedicada à Santa Casa. Na maioria dos anos, desde 1996, o Secretário de Saúde também assumia a função de interventor do hospital, o que não nos parecia ser o mais correto, haja vista que em muitos momentos havia conflitos de interesses. Por isso, para que integrantes do Movimento assumissem a administração da Santa Casa, foi necessária a aprovação de uma nova legislação, em parceria com a Prefeitura e Câmara, que garantisse direitos, deveres e autonomia aos interventores”, explica o presidente do ‘Eu Amo Lucélia’, Julio Cesar Moro.

Com o acordo e o compromisso da Prefeitura em fazer os repasses da subvenção em dia, o que vem acontecendo atualmente, integrantes do Movimento assumiram a gestão com o objetivo de tornar o hospital novamente referência a médio e longo prazos. Para isso, contratou consultorias administrativas, de enfermagem, tributária e jurídica para apurar a situação real da Santa Casa.

“Nos cercamos de uma equipe técnica capaz de diagnosticar os reais problemas do hospital, fornecendo todo o suporte necessário para que possamos tomar as medidas necessárias visando a melhoria da qualidade no atendimento, além da estabilidade financeira da entidade”, diz o interventor Manoel Marques Caldeira.

Boa parte da dívida de R$ 4,5 milhões já foi dividida, explica o interventor. “Deste valor total, cerca de R$ 2,5 milhões eram débitos tributários, que foram divididos e agora a Santa Casa conta com CND [Certidão Negativa de Débitos], o que possibilita receber emendas parlamentares”, diz.

Os outros R$ 2 milhões são dívidas trabalhistas e cíveis que estão sendo negociadas. “Quando assumimos existiam cerca de 30 apontamentos de títulos protestados, sendo que todos foram regularizados”, destaca Caldeira.

Em paralelo a resolução das questões financeiras do hospital, a equipe administrativa, com o apoio do Movimento ‘Eu Amo Lucélia’, realiza melhorias estruturais em diversos setores, o que possibilitará, em breve, a ampliação do atendimento. “Já realizamos investimentos na parte elétrica e hidráulica da Santa Casa. Colocamos em funcionamento maquinário na lavanderia conquistado em 2008, porém estava parado. Estamos reformando a CTI [Centro de Tratamento e Terapia Intensiva]. Nos próximos meses iniciaremos reforma nos apartamentos dos idosos. Realizamos a compra de 10 novas camas, no valor total de R$ 37 mil. E outros investimentos, que estão sendo possíveis com a colaboração da comunidade, que participa das ações do ‘Eu Amo Lucélia’ ou contribui com a Santa Casa mensalmente”, explica Caldeira.

A nova administração destaca que todos os investimentos realizados têm como referência hospitais renomados do interior paulista. “Procuramos os mesmos fornecedores ou materiais que são utilizados em hospitais de referência, além de seguir todas as normas da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]. Estamos trabalhando, e muito, para que em breve a Santa Casa de Lucélia atenda novamente pacientes de média e alta complexidade”.

O presidente do ‘Eu Amo Lucélia’ destaca a importância da população nesta conquista, já que os recursos públicos são suficientes apenas para manutenção do hospital. Mensalmente, a Prefeitura de Lucélia repassa R$ 180 mil ao hospital. Porém, os gastos mensais chegam a R$ 215 mil.

“Chegando setembro é necessário suplementação da Prefeitura, para garantir a continuidade do serviço e quitação das obrigações financeiras. Não sobra verba para investimento, sendo essencial a contribuição da comunidade para realizar as melhorias necessárias na estrutura do hospital. Muita coisa vem sendo feita, mas ainda não é perceptível a população. Em breve, os lucelienses terão uma nova estrutura de saúde a disposição”, almeja Caldeira.

Além dos eventos do Movimento, como o ‘Boteco da Amizade’ e a ‘Feijoada Solidária’, a Santa Casa conta com um grupo de voluntários que realiza contribuição de R$ 50, mês por participante, para melhorias no hospital. “Com este recurso já adquirimos aparelho respirador, ar condicionado, TVs, frigobar, por exemplo. Também realizamos troca do forro e de luminárias. Temos mais de R$ 30 mil em bens adquiridos com a contribuição desta força-tarefa”, diz. Para participar basta entrar em contato com Manoel Caldeira pelo celular: (18) 9.9707-4670.

Os investimentos realizados também visam um atendimento mais humanizado a população. “Alguns questionam se as melhorias realizadas são essenciais. Sim, são. Não importa a situação ou paciente, queremos oferecer um atendimento mais humanizado, com respeito, ética, seriedade ao ser humano, como realizam hospitais de referências”, afirma o interventor. “E estes investimentos são realizados com dinheiro da comunidade. Não há recurso público”, pontua.

Com foco na transparência, a Santa Casa também conquista apoio de diversos parceiros, como a Igreja Católica, que auxiliará na reforma da Capela, e a Igreja Batista Aguapé, que constantemente realiza campanhas em prol ao hospital. “Estamos abertos à população para que conheça a Santa Casa e veja como os recursos estão sendo aplicados. A Santa Casa é da comunidade, por isso contamos com o apoio de todos”, pede Caldeira.

Além dos recursos provenientes de ações sociais, a Santa Casa conquistou emendas, que possibilitará grandes investimentos no hospital, como restauração do centro cirúrgico, melhorias nos raios-x e na infraestrutura do local.

“Somente com muita união, luta e perseverança conseguiremos por fim de uma vez por todas à intervenção municipal e devolver a administração da Santa Casa de Misericórdia à população de Lucélia. Essa é a nossa missão”, destaca Caldeira.

Para ajudar nessa difícil tarefa, o interventor Manoel Marques Caldeira conta com o auxilio dos diretores João Luiz Pernomian, Talita Simon Falcão Moro, Carlos Alberto Oliveira dos Santos, José Roberto Andrela, Eliana Cristina do Carmo de Oliveira Yanagi Siena e Paulo Sérgio Martinez, além de todo apoio recebido do Movimento ‘Eu Amo Lucélia’ no tocante às obras que visam melhorar o atendimento da população.