Nesses dias que antecedem o prazo final para a filiação/regularização partidária daqueles cidadãos que pretendem disputar as eleições do próximo ano, está ocorrendo um fenômeno interessante na região.  Algumas assombrações estão fazendo cansativas reuniões com a vassalagem que as rodeiam, com o objetivo de trazer para as siglas partidárias que representam supostas lideranças da periferia. A tática usada para atingir suas metas é antiga.

A promessa, a mentira e a hipocrisia são as marcas registradas dessa gente. No entanto, caberá aos convidados analisarem com cuidado as propostas recebidas. Mesmo assim, o risco destes se transformarem em capitães do mato perante as comunidades que representam é grande. Acordo entre casa-grande e senzala só é bom para um lado, e todo mundo sabe muito bem qual é esse lado.  Feito o alerta, vamos em frente com o nosso texto.

Semana passada, Erivaldo Clikar fez uma pergunta que tirou o sono desse pobre articulista que de vez em quando escreve algumas besteiras sobre política.  Não é que o danado do jornalista queria saber por que a Nova Alta Paulista ainda sofre com as consequências da famosa geada ocorrida há mais de 40 anos.  Como essa questão é complicada e cheia de mistérios, para não dar uma resposta sem pé nem cabeça ao nobre colega, fui obrigado a consultar alguns arquivos que guardo a sete chaves.

E não é que acabei encontrando numa das inteligentes teses de um mestre que há tempos não cruza a mesma pinguela que eu (mas que continuo respeitando) parte da resposta que precisava para esclarecer o citado questionamento. Explico. Segundo Mauro Cardin, nos áureos tempos do café, quando alguns fazendeiros pegavam um garrafão de cachaça para tomar com os seus empregados, faziam isso com a intenção de melhorar a autoestima dos trabalhadores, pois sabiam que o serviço destes renderia muito mais se pensassem que eram valorizados pelo patrão.

Graças a esse truque perverso, várias famíglias prosperaram. Não só no campo, mas também nas empresas urbanas que tinham no comando das balanças e da classificação do café os famosos carcamanos. Aliás, um antigo morador da região, por sinal muito respeitado, fez revelações importantes que reforçam a tese do eficiente professor. Segundo ele, depois que alguns membros das famiglias bem sucedidas perceberam que a política poderia ser uma grande aliada de seus projetos de poder, tudo aquilo que estava ruim ficou pior.

Com raras exceções, a maioria dos escolhidos pelos mandachuvas locais não fizeram nada pela coletividade. Por isso, quando ocorreu a geada da década de 1975, todo mundo ficou sem pai nem mãe na Nova Alta Paulista. Inclusive, os pretensos líderes que representavam a elite dominante. Muitas famílias de trabalhadores partiram para as regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo, e vários fazendeiros foram investir suas reservas financeiras em terras de outros estados.

O que continuou igual foi o jeito de fazer política nas cidades afetadas pela catástrofe climática. Com isso, durante anos, as eleições num pequeno município próximo ao rio do Peixe foram decididas pelos antigos moradores que haviam se mudado para os grandes centros urbanos, tendo este pequeno município chegado ao absurdo de receber num único pleito seis ônibus de eleitores importados pelas famiglias tradicionais que não mediam esforços para eleger o seu candidato.

Dessa forma, fica evidente que a estagnação da região se deve a vários fatores e não apenas a geada de 1975. A Nova Alta Paulista sempre teve o seu crescimento barrado pela limitação de seus representantes, isso desde a sua colonização. É claro que não podemos generalizar, pois também já tivemos políticos sérios, que eram comprometidos com o futuro da nossa gente. Infelizmente estes foram poucos, se comparados com aqueles que só enxergavam os seus umbigos.

Mas é isso, caro leitor. A tese do intelectual e as revelações do antigo morador, respondem o questionamento do Erivaldo Clikar. Agora, como a corrida eleitoral já começou, cabe a você fazer uma analise da movimentação política que está ocorrendo na sua cidade. Caso contrário, daqui 40 anos algumas assombrações ainda estarão colocando a culpa da falta de crescimento da região na geada de 1975.

 

Nivaldo Martins do Nascimento ‘Londrina’ | Servidor público municipal e jornalista profissional (Mtb 35.079)