Em 2017, assembleia estadual da Pastoral Carcerária foi realizada em Catanduva (Foto: Divulgação | Pastoral Carcerária)

A situação dos cárceres do estado de São Paulo começa a ser debatida nesta sexta-feira (4), em Adamantina. Apesar de estar marcado antes da rebelião deflagrada na última semana, na Penitenciária de Lucélia, a assembleia estadual da Pastoral Carcerária acontece em um momento de alerta e preocupação em relação às unidades prisionais, principalmente na Nova Alta Paulista, região com maior número de detentos em todo o Estado.

Segundo dados da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), são 16.957 presos em 10 unidades, que têm capacidade para abrigar apenas 8.432 detentos. A população carcerária da região é maior que 19 dos 24 municípios da Nova Alta Paulista. “Os encarcerados em Lucélia reivindicaram melhores condições, uma realidade que aflige todos os cárceres do estado de São Paulo. E, devido a isso, ocorreu a rebelião. Avaliamos com preocupação, 21 presos saíram feridos e parte foi transferida para outros locais do Estado. Acompanhamos a situação”, informou o coordenador estadual da Carcerária do Estado de São Paulo – regional Sul 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Deyvid Livrini.

Assembleia anual

A assembleia tem como objetivo debater temas pertinentes ao trabalho realizado pela Pastoral Carcerária nas penitenciárias de todo o Estado. Dois temas centrais serão discutidos na assembleia anual, que acontece até domingo (6): assistência religiosa e humanitária nos presídios e agenda nacional pelo desencarceramento, conjunto de 10 propostas que visa reduzir o encarceramento em massa.

“A Pastoral Carcerária é importante por diversos motivos, mas destaco alguns pontos centrais: é o serviço da igreja católica prestado aos irmãos encarcerados, seus familiares e todos com ligação direta e indireta com o sistema prisional. É também importante por dar a sua contribuição na conscientização da sociedade sobre o grave problema carcerário que assola o Brasil, pais que mais encarcera no mundo e o terceiro em números absolutos de presos, com cerca de 750 mil pessoas detidas”, pontua.

Trabalho pastoral

Presente em todo o Estado, a Pastoral Carcerária realiza intenso trabalho para diminuir os problemas relacionados ao sistema prisional. “A Pastoral Carcerária é a presença de Cristo nos cárceres, atendendo a própria solicitação do Senhor em Mateus 25, 36: “Estive preso e vieste me visitar”. Obviamente a principal atuação da Pastoral Carcerária é a visita às unidades prisionais em todo o Estado. Nestas visitas, onde observamos as carências e demandas dos irmãos, voltamos as nossas ações em comunhão com a doutrina social e com magistério da igreja católica. Evidentemente, é de assistência religiosa, nós vamos encontrar o Cristo flagelado, abatido e crucificado que está na prisão. Mas, também, é uma visita humanitária, onde detectamos problemas devido as várias questões relacionadas ao cárcere, como a super lotação, falta de médicos, medicamentos e assistência jurídica, péssimas condições estruturais, entre outras coisas. Então a Pastoral não é indiferente aos problemas que estas pessoas privadas de liberdade passam. A Pastoral procura auxiliar com materiais, mas também cobrar do poder público que os encarcerados possam cumprir suas penas de maneira digna para serem reinseridos na sociedade”, explica Livrini.

A assembleia que será realizada em Adamantina contará com a participação de coordenadores diocesanos, coordenadores de sub-regionais, membros da coordenação e do escritório estadual da Pastoral Carcerária, localizado em São Paulo.