“A vez é do prefeito Márcio Cardim. A decisão, sobre sua reeleição ou não, é dele”, afirma presidente do DEM

Em entrevista o presidente do DEM local, Acácio Rocha, expõe como deve ser a articulação com os colegas de partido que estão no comando visando a conquista de recursos e as eleições de 2020

Vereador Acácio Rocha, presidente do Democratas de Adamantina (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar de não ter as maiores bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado, o Democratas conquistou a presidência das duas Casas, com Rodrigo Maia (RJ) e Davi Alcolumbre (AP), respectivamente, na última semana. Em Adamantina os democratas também dominam os poderes Legislativo, com a presidência e maioria dos vereadores, e o Executivo, com o prefeito Márcio Cardim, além de ser o partido do vice-governador do estado de São Paulo, Rodrigo Garcia. Em entrevista o presidente do DEM local, Acácio Rocha, expõe como deve ser a articulação com os colegas de partido que estão no comando visando a conquista de recursos e as eleições de 2020.

IMPACTO – O seu partido tem a presidência da Câmara de Adamantina, maioria dos vereadores, prefeito, vice-governador, presidência do Senado e presidência da Câmara Federal. Como avalia o crescimento da força política do DEM?

ACÁCIO ROCHA – Em âmbito local o DEM sempre teve uma presença positiva na vida política da cidade. E essa história é anterior à atual sigla, vinda da época do PFL. É um partido que, por aqui, sempre foi referência de uma política saudável, coerente, participativa e pela construção de melhores cenários para a nossa comunidade. E muito se fez, sobretudo, pelas conexões que se tornaram possíveis ao longo dos anos, dialogando com os demais partidos e lideranças. O governo do ex-prefeito Kiko foi uma evidência, dessa condição. Prova disso foram os inúmeros convênios na área estadual, no governo do PSDB, e na área federal, com o governo do PT. Sempre buscamos, nessas duas portas, e o saldo foi muito positivo à cidade. Hoje, temos um cenário estadual e nacional bastante favorável. O vice-governador tem afeto especial por Adamantina e de certa forma irá receber nossas demandas com uma atenção especial. Sempre se colocou de prontidão e, agora, vamos aproveitar mais, nos aproximando mais ainda. Em Brasília, a presidência do Senado e da Câmara dos Deputados, e a própria presença destacada do DEM no governo federal, nos abrem canais que podem ser decisivos. E cada um dos nomes locais do DEM devem agora fortalecer suas conexões, até mesmo com outros partidos, para que esse momento nos possibilite extrair oportunidades de investimentos e desenvolvimento à cidade. Nesse desafio é fundamental o diálogo, interno e externo, alinhando projetos, definindo prioridades e conectando Adamantina com o Estado e a União.

IMPACTO – A eleição de representantes do DEM nas esferas estadual e federal representam facilidades para as conquistas de emendas? Como será a articulação do diretório municipal neste sentido?

ACÁCIO – Sim. Isso facilita e precisamos fortalecer a relação com esses colegas parlamentares. Mas também temos condições de promover um diálogo multipartidário, sobretudo com aqueles partidos e políticos eleitos que tiveram votos na cidade. Todos, independente da legenda, precisam exercitar a reciprocidade e advogar por Adamantina. Temos, evidentemente, um cenário de dificuldades, que vai exigir mais de todos nós, já que muitos deputados estaduais e federais eleitos nunca pisaram em nossa cidade, e não tem relação nenhuma com lideranças locais. Nesse cenário, é imprescindível sensibilidade, jogo de cintura e uma postura de cobrança, reivindicando compromisso para com a cidade e os adamantinenses, que democraticamente elegeram aqueles que hoje estão no poder. Seja de qualquer partido, esse exercício precisa se estabelecer. E no âmbito do DEM, o espaço de cobrança é ainda maior.

IMPACTO – O DEM em Adamantina já se articula visando as eleições municipais de 2020? Quais os objetivos políticos do partido?

ACÁCIO – Hoje a pauta do DEM de Adamantina é governar a cidade. O prefeito, a vice-prefeita, cinco vereadores, entre os quais o presidente da Câmara Municipal, fomos eleitos para governar. Cada um com seu perfil, suas habilidades e suas diferenças, mas somos orientados pelo desejo de realizar. Temos hoje uma cidade muito melhor do que aquela recebida em janeiro de 2017. E o exercício da autocrítica permite reconhecer que há falhas, há deficiências, há pontos que precisam ser melhorados e ainda enfrentados, mas o saldo, até agora, se coloca muito melhor do que o recebido dois anos atrás. O que se pontua como avanço, portanto, não pode fazer acomodar. E mais do que isso, deve se tornar referência para fazer mais, e melhor. Sem muito esforço, e sem desmerecer ou desvalorizar o trabalho do prefeito Márcio Cardim, o pouco que se fizesse seria muito mais do que a ausência e o desgoverno vividos entre 2013 a 2016, na gestão anterior. Agora, os parâmetros de comparação são outros. O trabalho realizado em 2018 precisou ser melhor do que 2017, e neste ano de 2019 precisa ser mais produtivo do que os dois anos iniciais. Os parâmetros de comparação são outros e passam a exigir mais. E acredito que, reconhecendo que há falhas e pontos que precisariam ser melhor costurados, o que a atual gestão do DEM vai entregar ao final de 2020 será bastante positivo para Adamantina. Essa é a nossa busca, hoje. As oportunidades políticas futuras serão consequência desse resultado. Em relação às próximas eleições, entramos e uma contagem regressiva, com avaliações internas, com exercício da autocrítica, com a mensuração das realizações e do que será possível ainda realizar, e nisso visualizamos os possíveis cenários.

IMPACTO – É possível haver um racha no partido?

ACÁCIO – Hoje, a vez é do prefeito Márcio Cardim. A decisão, sobre sua reeleição ou não, é dele, e isso é uma escolha íntima e pessoal, onde acredito que deverá considerar toda a experiência vivida nesse que é seu primeiro mandato eletivo, e seus projetos de vida e para a cidade. Após sua decisão, todo o aparato político do DEM, e de outros partidos, serão buscados, seja pela construção de uma candidatura de reeleição ou a identificação de outra liderança que possa eventualmente disputar o executivo. Não vejo a possibilidade de racha, o que é diferente da condição de respeito, espaço e liberdade às diferentes opiniões, além das cobranças e críticas, muitas das quais exercidas pelos próprios vereadores do DEM, e me insiro nisso, desejosos pelas melhorias, pelas conquistas e pelos avanços, e que têm o direito de expressarem-se com autonomia e independência, e sobretudo responsabilidade pelas suas colocações. Isso não é racha. É exercício pleno das liberdades constitucionais garantidas ao detentor do mandato e a qualquer cidadão, filiado ou não a um partido político. Fazemos questão de garantir esse espaço, dentro do DEM, para a livre manifestação. Porém, o que nos une é o trabalho pela cidade, e nisso há consenso interno, entre outras legendas e com a sociedade, de dedicar todo o esforço possível para uma Adamantina promissora e que assuma seu protagonismo regional.

IMPACTO – Considerações:

ACÁCIO – O DEM de Adamantina se coloca aberto e à disposição ao diálogo. Adamantina vive momentos decisivos, e pode, de fato, afirmar-se com uma promissora cidade da Nova Alta Paulista. É um momento de conhecer e reproduzir experiências positivas, como o pacto de governabilidade entre partidos ocorrido em Junqueirópolis. Adamantina precisa experimentar um modelo de pactuação pluripartidário e multisetorial, envolvendo não só políticos e legendas, mas as organizações da sociedade civil, instituições, igrejas, empresários e lideranças, e um projeto de governo de longo prazo, a partir de um compromisso público claro, estratégico, legítimo e representativo, capaz de unir talentos e somar forças, e que seja, sobretudo, exequível, para alcançarmos a Adamantina tão sonhada por cada um de nós.