Nos tempos da Santa Inquisição, havia várias maneiras das autoridades religiosas tirarem a vida dos condenados à morte. Uma mais cruel que a outra. Como as execuções eram definidas pelo grau de influência que o réu tinha na comunidade, quando essa influência representava algum risco aos interesses dos poderosos locais, sua partida deste mundo era mais demorada e mais sofrida. Explico.

Para que o espetáculo não fosse esquecido tão cedo, as fogueiras de execução eram pequenas. Dessa forma, a mensagem de terror passada era maior. Assim, em câmera lenta, muitos inocentes foram executados pelos membros do Tribunal do Santo Oficio que, auxiliados pelos Familiares (cuja função era prestar serviços aos inquisidores) não mediam esforços para tirar de circulação aqueles que discordavam dos mandachuvas da época.

Com o passar dos anos os costumes mudaram e as fogueiras de execução em praça pública chegaram ao fim. No entanto, até hoje algumas das estratégias usadas na Idade Média são colocadas em prática pelos, agora, Familiares (essa palavra é maiúscula mesmo) modernos, que são tão perigosos quanto os seus ancestrais.  Entre essas estratégias, a mais usada é aquela que consiste em acusar, julgar e condenar, sem provas, os cidadãos que se propõem a fazer algo em prol da coletividade. Exemplos disso não faltam.

Os organizadores das três últimas edições da Expo Verde sentiram na pele o ódio e o rancor dos Familiares modernos. Felizmente, as palavras dessa gente não têm o peso que eles acreditam ter. O crime cometido pelos honrados cidadãos: Estarem à frente da festa em 2013, 2014 e 2015, o que deve ter contrariado os interesses daqueles que achavam que ninguém conseguiria fazer o evento melhor que eles. Entretanto, essa história não termina aqui.

O Tribunal de Contas deu sentença favorável aos gastos da Expo Verde/2013, mas ninguém pediu desculpas aos acusados. A falta deste ato de grandeza mostrou bem quais são os objetivos dos Familiares modernos. Não estou dizendo isso porque concordo com todos os investimentos feitos na festa, pois sei que existem outras prioridades no município.  Porém, é difícil ficar calado diante das injustiças que acontecem em Adamantina.

Aliás, gostaria de entender por que as supostas irregularidades nas construções da creche Proinfância e da UPA não estão sendo debatidas como deveriam ser, inclusive pela mídia provinciana. A importância desses órgãos para a comunidade é incontestável. Principalmente para os moradores do Jardim Brasil, que estão tendo essa séria questão ofuscada pelos holofotes que alguns Familiares modernos criaram em torno da Fatec. A propósito, a Fatec seria uma grande conquista para o Jardim Brasil, mas não tão grande quanto às duas conquistas citadas anteriormente.

Por falar em Fatec, não podemos ignorar que os outros bairros da cidade também gostariam de ser equipados como o Jardim Brasil, que tem: um belo campo de futebol oficial, um Pólo de Capacitação de Educadores, um Centro de Convivência da Juventude, um funcional Centro Comunitário, um Centro de Referência Especializado em Assistência Social – CREAS, uma sede do Corpo de Bombeiros, uma sede da Policia Militar, uma sede do CREA-SP, uma UPA, uma unidade do Tribunal de Contas, uma Creche modelo antigo, uma Creche Proinfância, uma Casa do Trabalhador Rural e o IAMA. Fui.

     Obs: Dedico este texto aos amigos Edinho Quinto e Urias Bellusci, e também a todos os adamantinenses que acham que a Fatec deve ser instalada em seus bairros. Fui de novo. 

Nivaldo Londrina Martins do Nascimento, Londrina é servidor público municipal e jornalista profissional (Mtb 35079)